A
última "inovação" veiculada pela grande media foi a da aula
invertida. O que vem a ser isso? Nas palavras do seu "criador",
flipped classroom, ou sala de aula invertida, é o nome que se dá ao método que
inverte a lógica de organização da sala de aula. Os alunos aprendem o conteúdo
no aconchego dos seus lares, digerindo videoaulas e games (a chamada aula
cassino). Na sala de aula, fazem exercícios...
Diz-nos a media especializada que o peer instruction
foi inventado há cerca de 20 anos. Há quase um século, Vigotski nos dizia que a
aprendizagem é resultante de um processo interativo e considerava a existência
de uma ZDP, que representa a diferença entre o que o aprendiz pode fazer
individualmente e aquilo que é capaz de atingir em colaboração com outros
aprendizes. Também sabemos que, há mais de 30 anos, Papert escreveu sobre o
assunto. E que, há cerca de 40 anos, o trabalho de pares era prática comum no
quotidiano de uma escolinha de Portugal, muito antes de um professor de física
o ter "inventado".
Diz-nos
o "inventor" que, nos últimos 23 anos, em aulas de diferentes
disciplinas, ficou comprovado que o ensino ativo (active learning) coloca o
foco no estudante. Cheira a escolanovismo reciclado... Diz que mudar é difícil,
especialmente na universidade, que mudou muito pouco nos últimos 400 anos. Devo
reconhecer que tem razão. Só não entendo por que busca compradores da
"invenção" nas universidades. Acrescenta: Na sala de aula, existe uma
pessoa falando em frente aos alunos (...) não se dá conta de quão pouco seus
alunos aprendem. Se assim é, por que razão metade da "invenção"
acontece em sala de aula?
O
"inventor" do método diz ter escrito um livro sobre a abordagem
(felizmente, sem tradução em português). Eu recomendaria substituir essa
leitura por versos do Drummond: Deus que livre vocês de uma escola em que
tenham que copiar pontos, de decorar sem entender, de aceitarem conhecimentos
"prontos", mediocremente embalados nos livros didáticos descartáveis,
de ficarem passivos, ouvindo e repetindo. Ou escutar o amigo Nóvoa,
referindo-se à escola da aula: uma instituição retrógrada, detentora de
esquemas arcaicos de organização do trabalho, sistemas de ensino centralizados
e estruturas físicas e curriculares rígidas. Hoje sabe-se que este modelo está
fatalmente condenado. Os brasileiros deveriam procurar alforria científica e
maioridade educacional na obra de Milton Santos, ou Maria Nilde, mas insistem
em comprar gato por lebre, desde que o gato venha do estrangeiro. Essas novidades
importadas não passam de inovações requentadas. E é confrangedora a
receptividade da universidade brasileira a tais "inovações".
Por
que não reagem os pedagogos brasileiros ao neocolonialismo pedagógico? Acaso os
nossos professores universitários não leram Freire? Não leram Lauro? Afinal, o
que leem os nossos professores?
Desconhecendo
que a "invenção" gringa já tinha sido inventada em escolas
brasileiras da década de 1960, um centro universitário promoveu palestra do
"inventor". E um consórcio de 14 universidades vai adotar (leia-se:
comprar) o "método". Volta e meia, mais uma moda pedagógica desce do
hemisfério norte. Mal não viria ao mundo, se educadores tupiniquins a não
comprassem. Mas compram.
ATIVIDADE II
A partir da leitura realizada, contribua com seus colegas de curso, disponibilizando uma atividade que tenha estas características, da aula invertida
Caso não tenha realizada alguma parecida, pesquise e faça sua contribuição.
ATIVIDADE II
A partir da leitura realizada, contribua com seus colegas de curso, disponibilizando uma atividade que tenha estas características, da aula invertida
Caso não tenha realizada alguma parecida, pesquise e faça sua contribuição.
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